É uma alegria que uma de nós, historiadoras por formação, tenha enfim conseguido uma vaguinha para dar aulas numa universidade pública.
O carinho e orgulho são grande, a saudade imensa e o contato agora é feito por e-mails, postais, msn e mensagens telefônicas. E nenhuma de nós ainda conseguiu visitá-la e frequentar os botecos das Minas Gerais.
A gente sabe (porque a gente leu, é claro!) o quanto a mulher lutou para alcançar cargos, posições, profissões, priviliégios antes unicamente masculinos.
Viva a mulher!
E agora, graças as suas conquistas, elas podem deixar suas marcas e contribuições também nos quadros das importantes universidades e centros de pesquisas brasileiros. A mulher é singular em sua forma de trabalhar, dizem alguns. Ela é dócil, paciente e boa companheira de trabalho, afirmam outros. A verdade é que a mulher deixa suas marcas. É possivel até mesmo reconhecer uma mesa, um escritório ou um ambiente de trabalho onde ocupe o cargo um ser humano do sexo feminino. É a mulher, esse ser especial.
E lá foi minha amiga levar sua contribuição intelectual e irradiar sua graça e feminilidade no interior do país.
No último contato, eu quis saber do primeiro aniversário de nossa importante amiga intelectual e professora universitária em sua nova estadia. Quis saber de tudo: das comemorações, das congratulações dos caríssimos colegas, dos presentes... A resposta veio por e-mail:
"Quanto ao meu aniversário... bem... começou muito bem... começou... Fui a um restaurante chamado Cozinha Real com a G. e três amigos que também são professores substitutos. O lugar é muito simpático e distinto, porém, por volta de uma da manhã, o restaurante fechou... e a distinção acabou. Surgiu de algum lugar, uma cachaça feita por um desses professores no alambique da própria família... muito boa! Depois de beber toda a cachaça, passamos a buscar desesperadamente um bar aberto em Mariana, entretanto nem mesmo o Corujão, conhecido como o mais tradicional ponto de bebuns nas madrugadas da pequena cidade barroca, estava aberto. Continuamos a perseguir desesperadamente um boteco aberto e, após alguns minutos, alguém lembrou de uma birosca... e me lembro vagamente do R. dizendo: "Ah, não... não podemos levar as meninas lá"! Mas por insistência da aniversariante aqui foi lá mesmo que fomos parar... Você iria gostar muito, tinha até uma sinuca! Enquanto o resto do grupo jogava sinuca eu e G. ficamos escolhendo músicas de origem duvidosa, como "Menina Veneno" e dançando... Sim. Dançando. De repente... entram dois alunos com vários engradados de cerveja... pensei que esse seria o momento mais constrangedor da noite mas não foi.... Lembra sobre aquela história de não beber com os aluno? esqueça... Fomos parar nas "Moitas", o lugar onde ficam as repúblicas federais... parei na Zona (Calma, é só o nome da república!). Lembro vagamente de um pandeiro na mão da G. e, dizem, eu cantei. Minha única preocupação foi saber se consegui cantar o samba até o fim... garantiram-me que sim. Afinal, como professora tenho que dar o exemplo. Diz a G. que quando o sol já havia raiado a mesma trupe partiu para a casa dela onde havia um bolo a minha espera, mas eu não lembro. Cantaram parabéns, mas eu também não lembro. E até duvido que alguém mais lembre disso além da própria G. Resumindo: tomei o maior porre de toda a minha vida! Quanto ao resto do dia 26, eu também não lembro, fiquei passando mal e dormindo. E foi assim que fiz 28 anos. Até agora estou com a leve desconfiança de que participei de algum ritual de iniciação da Chusma, como denominam carinhosamente o grupo de professores substitutos... e que - infelizmente - fui aprovada com louvor! Viva a profissão de mestre! Agora deixa eu voltar, que a ressaca foi embora e preciso preparar as aulas."
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Os nomes das pessoas envolvidas (todos igualmente professores) foram ocultados para preservar sua integridade.