24 de novembro de 2007

30 ANOS

Diante da proximidade da data, de acordo com as perguntas, com os comentários, com a pressão que me colocaram às vésperas do aniversário, achei que fosse dormir bem ontem e acordar no dia de hoje com gastrite, dor nos ossos, na cabeça, apnéia, ronco, dentadura, cansada, com peito caído, bunda mole, cheia de cabelos brancos, com várias rugas e pés de galinha e desesperada por causa da dificuldade que as mulheres mais velhas têm para conseguir homens.

Mas eu continuo me sentindo exatamente como se tivesse 29 anos.

17 de novembro de 2007

SEXTA-FEIRA

Lista de compras da uma mulher de quase 30, desencantada com o último encontro com o sexo masculino e sem dinheiro para sair na sexta-feira:

  • catchup
  • coxinha de galinha (Hummm... será que levo um bolinho de aipim também? Não, não... em casa tem hamburguer e maionese para fazer sanduíche!)
  • coca-cola
  • barra de chocolate
  • 3 cervejas
  • danette
  • biscoito Trakinas
  • embalagem com 5 mini-pizzas semi-prontas

E trancada no quarto assistindo Je vous Salut Marie. Se não fosse pelo fato de - e pela terceira vez - ter dormido na metade do filme, talvez já estivesse morta.

15 de novembro de 2007

A CONTRIBUIÇÃO FEMININA À INTELECTUALIDADE

É uma alegria que uma de nós, historiadoras por formação, tenha enfim conseguido uma vaguinha para dar aulas numa universidade pública.


O carinho e orgulho são grande, a saudade imensa e o contato agora é feito por e-mails, postais, msn e mensagens telefônicas. E nenhuma de nós ainda conseguiu visitá-la e frequentar os botecos das Minas Gerais.

A gente sabe (porque a gente leu, é claro!) o quanto a mulher lutou para alcançar cargos, posições, profissões, priviliégios antes unicamente masculinos.


Viva a mulher!


E agora, graças as suas conquistas, elas podem deixar suas marcas e contribuições também nos quadros das importantes universidades e centros de pesquisas brasileiros. A mulher é singular em sua forma de trabalhar, dizem alguns. Ela é dócil, paciente e boa companheira de trabalho, afirmam outros. A verdade é que a mulher deixa suas marcas. É possivel até mesmo reconhecer uma mesa, um escritório ou um ambiente de trabalho onde ocupe o cargo um ser humano do sexo feminino. É a mulher, esse ser especial.

E lá foi minha amiga levar sua contribuição intelectual e irradiar sua graça e feminilidade no interior do país.

No último contato, eu quis saber do primeiro aniversário de nossa importante amiga intelectual e professora universitária em sua nova estadia. Quis saber de tudo: das comemorações, das congratulações dos caríssimos colegas, dos presentes... A resposta veio por e-mail:





"Quanto ao meu aniversário... bem... começou muito bem... começou... Fui a um restaurante chamado Cozinha Real com a G. e três amigos que também são professores substitutos. O lugar é muito simpático e distinto, porém, por volta de uma da manhã, o restaurante fechou... e a distinção acabou. Surgiu de algum lugar, uma cachaça feita por um desses professores no alambique da própria família... muito boa! Depois de beber toda a cachaça, passamos a buscar desesperadamente um bar aberto em Mariana, entretanto nem mesmo o Corujão, conhecido como o mais tradicional ponto de bebuns nas madrugadas da pequena cidade barroca, estava aberto. Continuamos a perseguir desesperadamente um boteco aberto e, após alguns minutos, alguém lembrou de uma birosca... e me lembro vagamente do R. dizendo: "Ah, não... não podemos levar as meninas lá"! Mas por insistência da aniversariante aqui foi lá mesmo que fomos parar... Você iria gostar muito, tinha até uma sinuca! Enquanto o resto do grupo jogava sinuca eu e G. ficamos escolhendo músicas de origem duvidosa, como "Menina Veneno" e dançando... Sim. Dançando. De repente... entram dois alunos com vários engradados de cerveja... pensei que esse seria o momento mais constrangedor da noite mas não foi.... Lembra sobre aquela história de não beber com os aluno? esqueça... Fomos parar nas "Moitas", o lugar onde ficam as repúblicas federais... parei na Zona (Calma, é só o nome da república!). Lembro vagamente de um pandeiro na mão da G. e, dizem, eu cantei. Minha única preocupação foi saber se consegui cantar o samba até o fim... garantiram-me que sim. Afinal, como professora tenho que dar o exemplo. Diz a G. que quando o sol já havia raiado a mesma trupe partiu para a casa dela onde havia um bolo a minha espera, mas eu não lembro. Cantaram parabéns, mas eu também não lembro. E até duvido que alguém mais lembre disso além da própria G. Resumindo: tomei o maior porre de toda a minha vida! Quanto ao resto do dia 26, eu também não lembro, fiquei passando mal e dormindo. E foi assim que fiz 28 anos. Até agora estou com a leve desconfiança de que participei de algum ritual de iniciação da Chusma, como denominam carinhosamente o grupo de professores substitutos... e que - infelizmente - fui aprovada com louvor! Viva a profissão de mestre! Agora deixa eu voltar, que a ressaca foi embora e preciso preparar as aulas."


________________

Os nomes das pessoas envolvidas (todos igualmente professores) foram ocultados para preservar sua integridade.

12 de novembro de 2007

A MULHER E A ERUDIÇÃO

Estou chegando a conclusão de que alguns dos grandes chavões da humanidade são verdadeiros. Definitivamente, homens não gostam de mulheres intelectualmente superiores. Mesmo aqueles que bradam com orgulho que a inteligência é a melhor característica de uma mulher. Eles aturam, no máximo, a média.

É, estou considerando que eu estou acima da média sim.

Mas também eu exercito minha tirania. Não me interesso, em absoluto, por homens com mais erudição do que eu. Prefiro aqueles que estão, no máximo, bem pouquinho acima da média.

Se for mais arrogante que eu, aí então não dirijo nem a palavra.

11 de novembro de 2007

A MULHER E A ARTE CONTEMPORÂNEA

Por que a mulher de 30 não pode ser feliz com a arte contemporânea?

Porque a mulher de 30 viveu num tempo em que arte eram as pinturas, as esculturas, as gravuras. Porque a mulher de 30 cresceu com imagens, fotos e referências à da Vince, Picasso, Monet...

Porque a mulher de 30 fez uma faculdade na área de humanas, estudou teorias, leu os clássicos da filosofia da literatura e acha que entendeu o quão grandiosos eles são.

Então a mulher de 30 ficou estagnada na última grande e significativa vanguarda que foi o expresionismo alemão. E a mulher de trinta não entende mais nada depois disso. Ela não pode compreender como um rapazinho que veste uma roupa de espelhinhos e sai andando pelo centro da cidade tem sua "obra" "comprada" por um dos maiores colecionadores do Brasil.

Ter 30 anos não é nada fácil. Mas faz a gente se sentir sábia o bastante pra olhar pra essa onda conceitual com ares muito blasé. E você até pode achar que a mulher de 30 está, na verdade, muito ultrapassada e querer trocá-la por duas de 15. Só que aposto, se você for capaz de discordar de uma frase do que eu eu disse aqui, dificilmente você irá fazer.